O talento do jogador de futebol colombiano, Daniel Alejandro Torres (craque que se tornou conhecido por sua atuação no time Santa Fé de Bogotá), quase foi desperdiçado por causa do que ele mesmo hoje classifica como “irresponsabilidade”. Ainda jovem, o atleta acabou se tornando um alcoólatra e, somente após uma experiência pessoal com Cristo, abandonou seu vício, podendo ver sua carreira retomar o rumo certo.

Nascido em uma família de um pequeno vilarejo, na Colômbia, Daniel acabou se mudando para Bogotá (capital) ainda jovem, seguindo o seu grande sonho de se tornar um jogador de futebol profissional, conforme revelou em uma entrevista ao jornal espanhol ‘El Pais’

“Meus pais são de Cáqueza, um vilarejo nas montanhas de Cundinamarca. Tive de ir sozinho quando criança, para Bogotá, para a escolinha do Santa Fé. Morei em um hotel, em um albergue de uma tia. Já fiz as contas: morei em oito lugares diferentes”, contou o atleta.

“Ninguém me controlava. Recebi tudo aquilo que é bom quando você sabe administrar: prestígio, um bom salário e o reconhecimento de poder jogar futebol e viver disso, como um trabalho. Para nós, que sonhamos desde pequenos em ser jogador, a minha situação era uma bênção enorme”.

André contou que seu vício em alcool se desenvolveu de uma forma um tanto improvável, porque ele se lembra de não ter qualquer tipo de atração pela maioria das bebidas, mas logo que experimentou o uísque, passou a exagerar.

“Eu não bebia. Nunca tinha bebido. Não gostava de álcool. Nunca! Na Colômbia, o que tinha de mais popular era a aguardente. Mas eu não gostava. E comecei a beber uísque. Sozinho, consegui tomar duas garrafas”, relatou.

“Se via na minha cara e pelo meu bafo. Mas no dia seguinte treinava normalmente. Não sei como o meu corpo aguentou. Não sei como não tive uma contusão no joelho, um rompimento”.

Apesar de assumir que conseguiu treinar e jogar após noites de bebedeiras, André contou que este quadro não durou muito. Seu vício começou a interferir seriamente em sua carreira e em sua vida pessoal.

“Em Santa Fé, fui perdoado umas oito vezes depois de ser pego em testes de consumo de álcool. O médico e o presidente deixavam passar. Até que chegou um técnico, em 2011, e me deixou de fora. Fiquei seis meses sem jogar. Quando a temporada terminou, pedi ao presidente que me deixasse partir para o Nacional de Medellín, pois todos sabiam que ali eu não jogaria mais”, contou.

“Vendo o problema que tinha e que estava me perdendo, decidiram apostar e me mandar para lá, para ver se as coisas mudavam. Mas foi pior ainda. Medellín é uma cidade noturna, muito festeira. Comecei a sair mais. Só durei seis meses. No dia do meu aniversário fui festejar e no terceiro dia cheguei ao treino quarenta minutos atrasado. Fui submetido a um exame de alcoolemia e deu positivo. Estávamos na reta final. Fui suspenso por três partidas”.

Para o seu (novo) time, o Nacional, a gota d’água foi a derrota em um jogo decisivo, logo após Daniel voltar da suspensão. Já com seu casamento acabado, Daniel viu sua carreira também desmoronar.

“Eu tinha me separado de minha esposa e de meu filho. Estava num táxi para o aeroporto de Medellín e escutei falarem o meu nome no rádio. Estava na lista dos que saíam do Nacional. Telefonei ao presidente e ao técnico e não me responderam. Então recebi o telefonema de César Pastrana, o presidente do Santa Fé. Disse: ‘Daniel, o Nacional não te quer; eles querem te mandar para uma equipe da metade da tabela para baixo. Não quero que você vá para uma equipe assim, porque você não é para esse tipo de equipe”, contou Daniel.

“Foi a pior fase da minha vida. Não sabia o que ia ser da minha profissão. Tinha perdido minha esposa e meu filho, estava ficando sem futebol, a mídia falava muito mal de mim. Chamavam-me de bêbado. Estava prejudicando minha família”, acrescentou.

Daniel Torres celebra gol com a camisa do time espanhol Alavés. (Foto: O Gol)
A virada
Quando questionado sobre o que o fez ‘retomar o rumo’, Daniel não escondeu que seu encontro com Deus teve papel essencial em seu processo de transformação profissional e pessoal.

“Conheci Deus. Decidi entregar minha vida ao Senhor e utilizá-la para poder glorificar-Lo, honrá-Lo e levar a Mensagem onde Ele me pusesse. Em janeiro me chamaram para que eu ficasse no Santa Fé e voltei com minha esposa”, contou.

Apesar da nova vida, o jogador confessou que não foi fácil reconquistar a confianças de seus colegas e da direção do time.

“O difícil foi limpar meu nome. Ninguém acreditava em mim. Toda vez que chegava tarde a um treinamento, embora fosse por acaso, me faziam teste de alcoolemia. Pensavam: ‘Voltou a cair’. Mas minha vida já estava totalmente diferente”, destacou.
Evangelismo
Daniel conta que o discipulado da pastora Sandra Merino (Igreja de Deus Vivente, na Colômbia) foi essencial para que ele se orientasse neste momento de “quebra de preconceitos”.

“Ela era a sogra de Camilo Vargas, o goleiro de Santa Fé, e um grande amigo meu. Ele a apresentou a mim, e ela começou a falar-me da palavra de Jesus Cristo. Mas eu não não dava atenção. Até que fiquei tão mal que peguei uma Bíblia e disse a mim mesmo: ‘Vou experimentar, para ver o que isto me traz”, relatou.

Daniel contou que, ao ler a Bíblia, descobriu que tudo pode ser restaurado em Cristo e passou a buscar a reconstrução de sua vida.

“A Palavra diz que em Deus todas as coisas se fazem novas. Quando alguém decide aceitar Jesus Cristo todo o pecado é eliminado e toda a mancha é apagada e um novo ser humano nasce. Eu tinha que nascer de novo. Era minha única saída. E disse a mim mesmo: ‘Vamos dar uma oportunidade para isso!’. Fui até a senhora Sandra e oramos. Fiz a oração de fé, que é aceitar Jesus Cristo como Deus e salvador de nossas vidas. Foi como dar a Ele o controle. Que seja Ele quem governe minha vida. Eu nesse momento, disse ao Senhor que eu não era ninguém, que não era nada, que estava em ruínas e precisava dEle”, relatou.

Atualmente, Daniel Torres integra Seleção Colombiana de Futebol e foi contratado para jogar pelo time Alavés (Espanha), tornando-se uma das relevação do Campeonato Espanhol.

FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DO EL PAÍS

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