Andressa Anholete/AFP
Senator Eunicio Oliveira during the Senate session to elect the new president of Brazil's upper house of Congress in Brasilia on February 1, 2017. The dispute for the presidency of the Brazilian Senate is between Eunicio Oliveira (PMDB-CE), who has the support of the current president Renan Calheiros (PMDB-AL), and Jose Medeiros (PSD-MT). / AFP PHOTO / ANDRESSA ANHOLETE
O novo presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE)
DÉBORA ÁLVARES
DANIELA LIMA
MARINA DIAS
DE BRASÍLIA 2/02/2017 02h00

Eleito presidente do Senado nesta quarta-feira (1º) por 61 dos 81 colegas, Eunício Oliveira (PMDB-CE) usou seu discurso de apresentação para enviar recados enfáticos a cada um dos três Poderes.

Ao Congresso, assegurou que atuará como uma espécie de embaixador dos políticos. Ao governo Michel Temer, prometeu parceria na aprovação de reformas e unidade para superar a crise.

A única mensagem dura foi feita de maneira velada e endereçada ao Judiciário. Sem citar o Supremo Tribunal Federal ou a Operação Lava Jato, Eunício prometeu “ser firme, duro e líder quando um Poder parecer se levantar contra outro Poder”.

O senador cearense foi alçado ao comando do Senado com base em uma aliança com seu antecessor no posto, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que agora será líder do PMDB. “Foi o caminho da tradição que me trouxe até aqui”, afirmou. “Não navegarei sozinho e não deixarei nosso barco à deriva.”

O PMDB está na presidência da Casa desde 2001.

Eunício citou o combate à corrupção em só uma ocasião de sua fala, ao dizer que atuará para que a Casa “não perca a corrente contemporânea da luta contra a corrupção”.

Renan foi um crítico do que chamou por vezes de usurpação de prerrogativas do Congresso e abusos do Judiciário. Ao se apresentar ao plenário, Eunício sinalizou que pretende adotar a mesma linha.

Tanto ele como Renan foram citados por delatores da Lava Jato. Renan responde a oito inquéritos no esteio da investigação. Eunício não é alvo de abertura de inquérito, mas é acusado de ter recebido dinheiro ilícito para a campanha e de ter negociado mudanças em medidas provisórias com a Odebrecht.

Em seu discurso de despedida, Renan defendeu a investigação, mas cobrou “transparência”. “É preciso que se derrube o sigilo para que a população não seja manipulada, que é infelizmente o que tem acontecido.”

Foi uma referência à delação da Odebrecht, homologada pela presidente do STF, Cármen Lúcia, mas mantida sob sigilo por decisão dela.

A Lava Jato e suas implicações estão hoje no centro das preocupações do Congresso, do PMDB e do governo Temer.

A proeminência da operação, por exemplo, deu peso à Comissão de Constituição e Justiça, que tem entre as atribuições sabatinar nomes indicados ao Supremo e o procurador-geral da República.

Com a morte do ministro Teori Zavascki, são fortes as movimentações no PMDB para emplacar no STF um nome que não seja “avesso à política”, mas sim “palatável à CCJ e ao Senado”. Ganhou força na bancada plano de fazer de Edison Lobão (PMDB-MA) o presidente deste colegiado.

CÂMARA

Atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) é o favorito para eleição desta quinta (2). Ele conta com apoio oficial de 13 partidos, que somam 70% da Casa.

Parlamentares não descartam que a eleição seja resolvida em segundo turno. Jovair Arantes (PTB-GO), André Figueiredo (PDT-CE) e Julio Delgado (PSB-MG) se uniram contra o deputado do DEM, assim como Rogério Rosso (PSD-DF), que resolveu se retirar da disputa. O PSOL lançou Luiza Erundina (SP) e o PSC, Jair Bolsonaro (RJ).

O ministro do Supremo Celso de Mello negou nesta quarta os pedidos para impedir que Maia concorra à presidência da Câmara. Os adversários questionam a legalidade de sua candidatura à reeleição.

Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/02/1855125-novo-presidente-do-senado-eunicio-da-recado-a-judiciario.shtml

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