O missionário norte-americano Ryan Keating viveu por mais de 20 anos na Turquia e já considerava o país a sua “casa”. Mas na semana toda essa história de vida foi colocada em risco.

Depois de uma curta viagem para fora do país, o missionário americano foi alertado que ele não poderia voltar à Turquia nunca mais. Nenhuma razão lhe foi apresentada junto ao comunicado. Não houve investigação. Nenhuma evidência. Ele permaneceu detido de um dia para outro em uma sala do aeroporto de Istambul e foi interrogado pela polícia ‘anti-terrorismo’. Então Ryan foi avisado que ele considerado “uma ameaça à segurança nacional” e foi forçado a pegar o primeiro primeiro avião para fora do país.

“Infelizmente, isso é típico do tratamento que os cristãos muitas vezes recebem neste país [Turquia]”, disse ele ao Christian Today.

Vivendo na Turquia desde desde 1993, Ryan sempre saiu do país e voltou tranquilamente. Há 10 anos ele comprou uma casa na capital Ankara e estava morando lá com sua esposa e seus três filhos.

Ele está fazendo um doutorado em filosofia da religião na Universidade de Ankara e criou o Ministério de Apoio aos Refugiados (ARM), que fornece comida, abrigo e roupas para 6.000 famílias de refugiados. Com o apoio da Igreja Kurtulus, uma das maiores igrejas evangélicas da Turquia, à que que Ryan e sua família estão filiados, O Ministério ‘ARM’ também oferece aulas de inglês e de formação profissional para cerca de 2,7 milhões de refugiados na Turquia.

Atualmente, Keating também estava administrando uma cafeteria, chamada ‘Café Haus’ e liderando um grupo de discipulado em sua igreja.

Tudo isto está correndo risco de chegar ao fim agora, porque Keating foi rotulado como “uma ameaça à segurança nacional” e não pode mais voltar à Turquia.

Ele pegou um voo para o Reino Unido no dia 8 de Outubro e, quando voltou para a Turquia na segunda-feira da semana passada (17 de outubro), ele foi informado que sua residência permanente no país havia sido cancelada.

“Eles me procuraram e um policial da divisão de anti-terrorismo me interrogou. Eu não fui agredido nesse processo, mas fiquei trancado em uma sala durante toda a noite”, disse ele em uma entrevista ao Christian Today. “Então eles me colocaram no próximo vôo de volta para Londres”.

Ryan Keating e seus três filhos na Turquia. (Foto: Christian Today)

O Reino Unido tem dado a ele uma licença de seis meses para ficar no país, enquanto resolve sua situação, mas sua esposa e filhos ainda estão na Turquia.

Ele recorreu da decisão, mas os casos como este normalmente levariam pelo menos dois anos para se resolver e durante esse tempo, Keating pode não ter um lugar para morar.

Apesar da situação complicada, Ryan destacou que esse tipo de tratamento não é incomum aos cristãos na Turquia.

“Tem havido algumas maneiras nas quais a Turquia deu maior liberdade para as minorias religiosas. Mas há outros casos de discriminação religiosa arbitrária e este é um deles”, explicou.

O missionário explicou que, mesmo vivendo em uma cultura diferente, sempre tomou cuidado para não desrespeitar as leis do país.

“Não há nenhuma evidência ou a justificativa para que eu tenha sido banido. Eu sei que nunca fiz nada de ilegal na Turquia. Tomamos muito cuidado para obedecer às leis. Não fizemos nada que ameaçasse ou fizesse mal à Turquia de forma alguma”, disse.

“Não houve nenhuma investigação, nenhuma prova, apenas uma proibição arbitrária e agora estão usando o argumento de ‘ameaça à segurança nacional’ para encobrir a minha prisão injusta. O que isso quer dizer? O que eles estão sugerindo que eu fiz ou pudesse fazer?”, questionou.

A Turquia sofreu diversas tentativas de golpe de Estado contra o seu Presidente Erdogan, em julho. Mas a revolução não apenas abriu as portas para a repressão religiosa. “Houve uma atmosfera de tensão, medo e desconfiança”, disse Keating.

Ele aponta para outros missionários que ele conhece, que foram expulsos sem explicação nas últimas semanas. Patrick Jenson, Idris Kabil e David Biliares são apenas três nomes entre mais de 100 que foram deportados.

“É uma tragédia”, disse Keating. “É muito triste.”

Embora sua família tenha ficado na Turquia, por enquanto, eles estão preocupados com o seu futuro. Eles já estão deixando suas malas prontas para o caso de serem detidos a curto prazo.

“Nós geralmente nos sentimos seguros na Turquia”, disse ele. “Mas se eu posso ser oficialmente deportado e eles [família] estão preocupados se estarão bem no futuro”.

FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DO CHRISTIAN TODAY

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