O jovem cristão tem a missão de cursar uma faculdade e também de ser influência para aqueles que não conhecem a Cristo. Mas, como fazer isso num ambiente “livre” e cético ao mesmo tempo? Entenda em nossa matéria especial.

Muitos jovens cristãos ao sair do ensino médio com destino a vida acadêmica ficam receosos quanto a esse novo tempo. Acredita-se que a probabilidade de “sair da igreja” depois de se engajar nas atividades de uma faculdade ou universidade é bem maior. Por isso, muitos pastores e líderes espirituais aconselham suas ovelhas antes dessa fase.

Mas, nem sempre o jovem crente fica desamparado na academia. Em Fortaleza (CE), por exemplo, foi criada recentemente a COMUNIE (Comunhão Universitária Evangélica) que liderada pelo pastor Glauco Barreira Magalhães Filho, pretende revelar a cada cristão na Universidade que ele não está só.

Em entrevista para o Portal Guiame, o pastor comentou como o jovem cristão pode aproveitar o ambiente acadêmico para levar o evangelho aos ímpios. “O jovem cristão deve revelar que a sua fé em Cristo não é ‘algo de fim de semana’, mas o núcleo central de sua existência. Desse modo, o não cristão poderá ver que a igreja não é para ele um mero entretenimento ou um paliativo para as dores da vida temporal”, disse.

Com isso, Glauco acredita que a fé precisa ser o centro do jovem em todos os aspectos. “A fé só mostrará a sua posição central em nossa vida quando determinar as nossas prioridades, as nossas motivações e o nosso pensamento. Um cristianismo que não influencie as pesquisas e a mentalidade acadêmica não impressionará ninguém. Devemos, assim, mostrar coerência entre crenças e práticas. A partir daí, poderemos evangelizar com autoridade, sempre prontos a aproveitar cada oportunidade”, pontuou.

Reuniões na faculdade

Membros do movimento universitário “Hora Extra”. (Foto: Reprodução/Facebook).

Além de exemplos como a COMUNIE, no Brasil, os jovens têm a liberdade de se reunir dentro do ambiente acadêmico para compartilhar o evangelho. Como acontece com o movimento estudantil “Hora Extra” que já tem 54 projetos separados em equipes de atuação em Fortaleza, outras cidades do interior do Ceará e até no Maranhão. Rodrigo Costa (24), coordenador geral do “Hora Extra”, também conversou com o Guiame sobre a importância do jovem cristão defender a sua fé no ambiente acadêmico.

“A universidade é vista como um lugar que valoriza conceitos, ideias e pesquisas. Estamos a todo momento recebendo diferentes informações que nos influenciarão por toda a vida. É nesse ambiente que grandes líderes são formados. Somos influenciados, mas podemos ser bons influenciadores. Se quisermos transformar a sociedade, precisamos contribuir com a formação de estudantes. Para isso, precisamos conhecer, viver, defender e compartilhar aquilo que já experimentamos levando a mensagem do maior líder da história, Jesus Cristo”, comentou.

De acordo com Rodrigo, O “Hora Extra” começou com a ideia de “reunir nosso grupo de amigos para ter um tempo de devoção a Deus no meio da correria da semana ali mesmo na faculdade”, disse. “Nós reunimos algumas vezes com um momento de louvor, oração e começamos a compartilhar as experiências e aprendizados que tínhamos durante a semana. O grupo chamou atenção pela alegria e animação. Criamos uma identidade com um nome impactante, começamos a divulgar nossas ações e nos comprometemos a convidar nossos amigos toda semana. Depois disso, várias outras pessoas começaram a participar do movimento”, ressaltou.

Já a COMUNIE promove uma aproximação dos crentes para celebrações coletivas. O pastor Glauco explica sobre o engajamento intelectual. “Mostramos a nossa força e presença na Academia. Nossas celebrações, que ocorrem no início e fim de cada semestre, acontecem com mensagens apologéticas ou de engajamento intelectual a partir de uma cosmovisão cristã. Também enfatizamos a necessidade da vida devocional, unindo mente e coração, enquanto desafiamos os irmãos a verem a Academia como um campo missionário “pós-cristão”, ateísta ou até neopagão”, disse.

“Também organizaremos em cada ano um encontro de professores e estudantes evangélicos para discutirmos assuntos de várias áreas do saber sob uma perspectiva bíblica. O movimento cria também a oportunidade de aproximar alunos e professores cristãos, possibilitando a indicação de leituras, apoio e orientação. O nosso movimento tem um caráter motivacional para outros movimentos já existentes, aqueles cuja ação imediata é evangelística”, explicou.

São Paulo: célula de destaque na faculdade

Saindo um pouco de terras “Alencarianas”, nossa reportagem especial conversou com Juliana Guitti (26), que lidera a mais de três anos um grupo cristão na Faculdade FMU Liberdade em São Paulo. “Temos uma célula que realizamos na Faculdade. Quarta é apenas louvor e compartilhamos uma passagem. Já na quinta-feira, compartilhamos a palavra que foi ministrada na igreja domingo”.

Segundo Juliana, a célula é uma extensão da Igreja Bola de Neve, mas isso não impede que pessoas de outras igrejas participem das reuniões. “Nosso grupo é uma célula de extensão da Igreja Bola de Neve. Mas a gente não foca na placa da igreja. Temos pessoas de outros ministérios na célula”, explica. “Realizamos alguns evangelismos na faculdade e na ‘Taguá’ que é uma rua de bares que tem perto da faculdade”.

Questionada sobre os frutos que as reuniões têm dado, Juliana se alegra em dizer que os efeitos da célula têm sido uma bênção. “Ah, nossa célula tem dado muitos resultados. Tem gente que a gente aborda no evangelismo que já foi para a igreja, se batizou e hoje já esta em algum ministério. É bênção. Temos pessoas na célula que ainda não têm igreja, mas que vai para conhecer. Hoje, temos cerca de 70 pessoas no grupo”, pontuou a jovem.

Desafios e debates acadêmicos

Um dos grandes desafios de todo jovem crente na faculdade é conviver com os ideais Marxistas dia a dia. Tais ideais são apresentados para as crianças desde a escola. Faculdades públicas também são grandes influenciadores do pensamento. Para Rodrigo (Hora Extra), é preciso discernir entre os conceitos certos e errados. “Vivemos em um país com liberdade religiosa e portanto todos têm o direito de seguirem o que quiserem. No entanto, nem tudo é bom. Devemos saber discernir entre o certo e o errado, para não nos tornarmos presas fáceis para as sutilezas do mal. Uma vida intensa na presença de Deus trás a todo cristão um discernimento e sabedoria que nem mesmo o mundo pode compreender. Isso é um resumo de uma disciplina de oração e estudo que nós, cristãos, precisamos ter”.

Ele ainda comenta que é importante se preparar para dialogar com clareza. “Assim como diz em 1 Pedro 3:15, precisamos estar sempre preparados para responder a todo aquele que pedir razão da esperança que há em nós. Para isso devemos ser corajosos, esforçados, estar munidos de uma mente sadia e equilibrada, conectada com as informações que nos cercam, atualizados do que acontece no mundo, pronta para trabalhar, centrada na nossa esperança e pronta para dar uma resposta”, ressaltou.

O pastor Glauco (COMUNIE) também se colocou sobre esse assunto. “É dever do cristão defender a verdade. Se lhe faltarem argumentos, ele deve pesquisar as respostas depois. O desafio de sua fé o fará dedicar-se ao estudo. Duas coisas, porém, devem existir em nós para sermos por Deus socorridos. Primeiro, devemos estar certos de que tudo que a Bíblia diz é verdadeiro, está de acordo com a natureza das coisas e oferece a explicação mais coerente da natureza, do homem e da história. Essa convicção abre a porta para o argumento chegar da parte de Deus. E segundo, devemos nos manter em oração (antes e na hora de um debate). Jesus prometeu que o Espírito nos daria sabedoria. Aqui, não é tanto a sabedoria abstrata dos filósofos, mas a sabedoria prática das analogias, do desmascaramento de contradições, etc. É aquela sabedoria com que Jesus calava os fariseus quando eles vinham testá-lo. Devemos ser corajosos, mas sempre moderados e humildes. Fonte: GUIAME, KARLOS AIRES

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