Um raro e antigo papiro datado do período do Primeiro Templo – 2.700 anos atrás – pode ajudar a comprovar a mais antiga menção conhecida de Jerusalém em hebraico e reforça a ligação histórica dos judeus com a cidade.

Acredita-se que o material frágil, tenha sido saqueado de uma caverna na caverna no Deserto da Judeia e aparentemente adquirido por uma empresa privada há vários anos. A datação feita por radiocarbono determinou que o papiro é do século 7, a.C e é um dos três papiros remanescentes desse período, escritos hebraico e antecedentes aos Manuscritos do Mar Morto.

O pedaço de papiro, que foi formalmente revelado pela Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA) na última quarta-feira, mede 11 centímetros por 2,5 centímetros. Em duas linhas da inscrição irregular, em paleo-Hebraico preto, parecem trazer uma nota sobre uma expedição para uma entrega de dois odres “a Jerusalém”, capital da da Judeia. O texto integral da inscrição diz: “Da serva do rei de Naharata (local perto de Jericó), dois odres para Jerusalém”.

O fato de que a nota foi escrita em papiro, em vez de um material mais barato da época, sugere que a remessa de odres pode ter sido enviada a uma pessoa de status social ou político elevado.

Falando em uma conferência de imprensa em Jerusalém com funcionários da IAA na quarta-feira, o premiado estudioso bíblico judeu, Shmuel Ahituv disse que a menção de uma “serva do rei” enviar os odres para “Yerushalem”, indicou que ela foi enviada por uma mulher proeminente para a capital.

Ahituv também disse que era significativo que o texto apresentasse a ortografia “Yerushalem” como referência ao nome da cidade, que é mais comumente encontrada na Bíblia. Existem apenas quatro casos na Bíblia, observou ele, nos quais Jerusalém é citada como “Yerushalayim”, com uma letra adicional ‘Yod’, a forma como ela é pronunciado no hebraico moderno.

Ahituv estudou o papiro após a sua aquisição por um indivíduo que solicitou o anonimato.

Amir Ganor, diretor da divisão de prevenção de roubo de antiguidades da IAA, disse que o papiro veio de uma caverna em Nahal Hever, no Deserto da Judeia. O clima seco, porém fresco do local próximo ao Mar Morto permitiu a preservação do fragmento ao longo dos milênios.

Eitan Klein, da IAA disse que a idade dos papiros havia sido confirmada pela comparação da ortografia do texto com outros textos do período.

Embora haja outros textos antigos, escritos em hebraico, como os gravados em pedra e rabiscados em pedaços de cerâmica neste mesmo período, os únicos outors textos de papiros conhecidos em hebraico, de antes da queda do Reino de Judá, em 586 aC foram os ‘Marzeah Papyrus’, que seriam do final do 7º século a.C, e um outro papiro encontrado em Qumran.

A Autoridade de Antiguidades de Israel tem se mobilizado para combater o roubo de antiguidades do patrimônio arqueológico do país, com particular ênfase nas cavernas de calcário que pontilham as descidas para o Mar Morto. Essas cavernas remotas renderam duas das coleções mais significativas de antigos textos hebraicos: os Manuscritos do Mar Morto e as Cartas de Bar Kochba.

FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DO ‘TIMES OF ISRAEL’

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